Sonolência representa 40% dos acidentes nas estradas
- Instituto Neurologia e Sono
- há 3 horas
- 2 min de leitura
O sono ao volante representa 40% dos acidentes de trânsito nas rodovias, sendo a terceira
maior causa depois da falta de atenção à condução e ingestão de álcool. A conclusão é da
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), com base nos dados da Polícia
Rodoviária Federal.

Conforme Shigueo Yonekura, o neurologista do Instituto de Tecnologia em Neurologia e Sono,
os efeitos do sono na direção são semelhantes aos da bebida alcoólica, afetando a
coordenação motora e os reflexos, sendo uma condição bastante perigosa.
Com especialização em neurologia e sono pelo Hospital das Clínicas da USP, o médico afirma
que noites mal dormidas, a privação de sono, os transtornos do sono e o tempo prolongado ao
volante estão entre as principais causas da sonolência na direção. “Procurar ter um sono
reparador e tratar possíveis distúrbios do sono são fatores importantes para evitar que o
motorista cochile ao volante ou tenha a atenção comprometida devido à sonolência”, reforça.
O condutor precisa estar descansado e bem disposto antes de pegar a estrada. Durante a
viagem, Yonekura recomenda que o motorista faça paradas em locais seguros a cada duas
horas ou três para andar, tomar líquidos, respirar bem e relaxar as pernas e o pescoço.
Também deve-se evitar comer demais e ingerir alimentos pesados, assim como álcool ou outro
tipo de droga. Ele diz que grande parte dos acidentes causados por sonolência acontece em
situações monótonas, como nas rodovias em horários mais tranquilos e no período noturno.
Dar mais atenção a doenças que afetam a qualidade do sono também é outra recomendação.
Entre os distúrbios que podem provocar sonolência ao volante está a apneia do sono,
narcolepsia e síndrome das pernas inquietas. Pessoas com transtornos do sono não
diagnosticados são mais propensos a dirigir sonolentos.
A apneia causa a obstrução das vias aéreas por alguns momentos enquanto a pessoa está
dormindo, o que impede o sono profundo e reparador, causando diversos prejuízos à saúde.
“Quem sofre de apneia corre mais risco de sofrer acidentes de trânsito porque ao longo da
noite adormece, para de respirar, acorda, reinicia a respiração, torna a adormecer, para de
respirar novamente e assim sucessivamente. O ronco, a sonolência ou fadiga diurna excessiva
estão entre os principais sintomas da doença”, destaca.

Comentários