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Os sinais que diferenciam o esquecimento comum de uma alteração cognitiva

Esquecer o nome de alguém, não lembrar onde deixou um objeto ou levar alguns segundos a mais para recuperar uma informação são situações que podem acontecer em diferentes fases da vida. Isoladamente, esses episódios não significam necessariamente uma alteração de memória.

A atenção é uma das etapas envolvidas nesse processo. Estresse, ansiedade, depressão, noites mal dormidas, excesso de tarefas e alguns medicamentos podem dificultar o registro das informações e favorecer lapsos de memória.


“Nem sempre a pessoa que reclama de esquecimento tem um problema primário de memória. Muitas vezes, a dificuldade começa na atenção. Se a informação não é bem registrada, posteriormente pode haver a impressão de que ela foi esquecida”, explica Shigueo Yonekura, médico com especialização em neurologia e sono pelo Hospital das Clínicas da USP.


Quando o esquecimento merece atenção


Mais do que um episódio isolado, é importante observar a frequência e o impacto dessas alterações no dia a dia. Repetir perguntas ou histórias, esquecer compromissos com frequência, ter dificuldade para realizar tarefas habituais ou depender de outras pessoas para atividades que antes eram feitas de forma independente são sinais que justificam uma avaliação médica.

“Uma das questões mais importantes é perceber se houve uma mudança em relação ao funcionamento habitual da pessoa. O esquecimento passa a ser mais relevante quando começa a interferir na rotina, na organização ou na autonomia”, afirma Yonekura, que é neurologista do Instituto de Tecnologia em Neurologia e Sono.

A idade também precisa ser considerada. Com o envelhecimento, pode ocorrer uma redução natural na velocidade de processamento das informações, tornando mais demorado aprender algo novo ou recuperar determinado nome ou palavra. Isso é diferente de perder habilidades que antes faziam parte da rotina.


O que pode estar por trás da queixa


A avaliação busca entender o que está relacionado à alteração percebida. O médico pode considerar histórico clínico, qualidade do sono, estado emocional, medicamentos em uso, hábitos de vida e outras condições de saúde. Em alguns casos, podem ser identificadas condições neurológicas que precisam de acompanhamento específico.


“O objetivo não é apenas verificar se a pessoa está esquecendo, mas entender por que isso está acontecendo. A mesma queixa pode ter causas muito diferentes e, por isso, a investigação precisa considerar cada caso individualmente”, destaca o neurologista.


A conduta depende da causa identificada e pode incluir mudanças nos hábitos de vida, tratamento de condições associadas, acompanhamento clínico, revisão de medicamentos quando necessária e estratégias de reabilitação ou estimulação cognitiva. Quando há uma doença neurológica, o tratamento é definido de acordo com o diagnóstico e as características de cada paciente.

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